sexta-feira, 18 de maio de 2012

Bukowski - trecho em "Notas de um velho safado".

[...] Mas o que estou tentando lhes dizer é o seguinte, que a razão pela qual
a maioria das pessoas está nas pistas de corrida é que elas estão agoniadas,
é isso aí,  e estão tão desesperadas que se arriscarão a mais uma agonia ao
invés de encarar sua presente situação (?) perante a vida.
Agora, os figurões não chegam a ser nem a metade tão bundões quanto
nós pensamos que eles sejam. Eles sentam nos topos das montanhas estudando
o caminho das formigas. Você não acha que Johnson se sente orgulhoso de seu
umbigo? e você não se dá conta, ao mesmo tempo, que Johnson é um dos maiores
bunda-moles que jamais empurraram pra cima de nós?
Nós somos fisgados, esbofeteados e cortados em pedacinhos estupidamente.
Tão estupidamente que alguns de nós acabam finalmente amando nossos atormentadores
porque eles estão lá para nos atormentar de acordo com linhas lógicas de tortura.
E isto parece assim tão razoável, porque é tudo que existe.
Santa Anita está lá, Johnson está lá, e de um jeito ou de outro, nós os mantemos lá.
Nós construímos nossos próprios suplícios e berramos quando nossos genitais são
arrancados pelo protetor subnormal acenando a grande cruz de prata (o ouro anda escasso).
Deixem que isto explique, então, por que alguns de nós, se não a maioria, se não todos,
estamos lá num dia como 22 de março de 1968, uma tarde em Arcadia, Calif.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Belém-Pará-Brasil.

Deixando de lado um pouco os abstratos, resolvi falar um pouco da (in)solides social, política e econômica.
Observando como se encontra a evolução nesses aspectos no Brasil, influenciando na nossa região.  

  • Li hoje que a Abras (associação brasileira de supermercados) em acordo com o ministério público federal, irão estabelecer programas de incentivo a não comprar carne de fornecedores que desmatam. Bem, regularizar a pecuária na Amazônia realmente é necessário e urgente.                 Não só urgente como atrasado. A devastação de hectares florestais chega a 62.2% dos quase      720 mil km² que foram ocupados por pastagens, isso em um estudo do governo considerando os 9 estados da Amazônia Legal feito até 2008, o que é um número exorbitante perto dos 5% utilizados pela agricultura. Falta de investimentos em tecnologia rural junto com a precária e corrupta fiscalização se tornam um campo realmente fértil para a proliferação de latifundiários insanos   visando lucro imediato a qualquer custo. Nem vou perder meu tempo pesquisando a evidente  relação entre os deputados que elaboraram aquele código florestal sem precedentes na história  e esse descaso com a ideia de desenvolvimento sustentável, que se não vetado pela presidente...    Mas já um grande passo adiante esse acordo entre a Abras e o ministério público.
  • Por aqui começamos as ações com uma lei que obriga comerciantes a usar sacolas plásticas oxibiodegradáveis. O processo é bem gradativo, a redução será de 50% até 2017 tendo em vista sairá bem mais caro para os comerciantes comprar as novas sacolas plásticas.
  • Lembrando que esse ano teremos Rio+20, que nada mais é do que sobre economia sustentável e     a "economia verde". Economia que será debatida na Cúpula dos Povos, que discorda aos       modelos de produção ainda utilizados bem como suas consequências negativas no meio social.     Mas entre esses dois eventos que estão sendo bem divulgados, o que me chamou mais atenção      foi outro evento criado paralelamente denominado Xingu+23. Desenvolvido pelo movimento Xingu Vivo, que trata ainda mais do modelo de desenvolvimento na Amazônia, o que remete as obras em andamento de Belo Monte. Que além de debates também promoverá ações de rua em Altamira, visando levar para o Rio a disparidade entre a energia produzida em Belo Monte para indústrias e para a população, e as estatísticas que mostram o aumento no índice de violência na região devido a forte migração feita para a área do canteiro de obras da hidrelétrica. Esses índices incluem o  aumento desde crimes sexuais à latrocínio, que teve um pavoroso aumentou de 500%!
  • Em contra-partida, o governo do Pará tem fortalecido a relação comercial técnico-científica com a Malásia para o desenvolvimento da indústria de palma (que pode manufaturar vários produtos,   como o óleo), que também quer junto ao Pará o crescimento da indústria da borracha em ambos    os países.
  • Enquanto isso acabamos de sair de uma greve de ônibus, que como consequência assegura  melhorias para os trabalhadores do transporte público e encarece o preço da passagem, que agora está fazendo um ano desde o ultimo ajuste.
  • O feijão vendido nos nossos supermercados alcançou a incrível marca de 65,25% em um ano, passando de R$ 2,54 para 5,85... se continuar assim, daqui a pouco feijão será só no almoço de domingo.
  • Bom... nem preciso lembrar que esse ano ainda teremos eleições né, para o nosso Estado votar é obrigatório e conhecimento é opcional, portanto não se deixe levar por meia-dúzia de frases políticas manjadas.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Éden

Eu busco meu caminho.
Eu busco meu caminho para algo melhor.
Eu fico atento.
Eu fico atento para algo melhor.
Eu planto as sementes.
Eu planto as sementes que considero serem verdadeiras.
Mas um espinho... Um espinho de uma flor da semente que plantei,
agora me feri profundamente, eu simplesmente sangro.
Sangro sem conseguir estancar.
Quando a semente que você mesmo plantou se torna uma flor
que te feri, realmente há algo errado.
E eu só queria admirar um belo jardim.
Acreditava no Éden, que hoje me parece desmatado, em chamas.
Onde foram parar aquelas belas árvores onde eu ficava sentado
aproveitando a sombra?
Talvez seja eu um mal observador.
Talvez nunca existiu esse jardim fora da minha cabeça.
Tenho que aceitar a paisagem como ela é.
E deixar de lado essa vontade de ver uma flor sem espinhos.
Um Éden sem serpentes.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Por onde andarão Iara e o Boto?

"O romantismo está fora de moda"
ouvi da boca da recente garota que conheci.
Estranho, eu achar que não, estranho eu cada vez mais achar
que ela está certa.
Tenho visto só carnes expostas, é tão simples.
Ir lá, pegar e dar o fora.
Lembrei da minha ultima namorada, e parece que
foi a ultima garota que conheci.
Hoje ela já nem parece existir mais, ainda nos falamos mas,
parece que ela simplesmente sumiu no dia em que terminei o
namoro e a vi me dando as costas e andando de volta para sua casa.
Me sinto como aquelas crianças que usam boias nos braços para
não afundar e só nadar na superfície.
Nada mais parece ter profundidade, todos parecem só querer ficar
no raso. Medo de se afogar?
Sei lá. Começo a perder a fé de que um dia poderei mergulhar novamente.
É legal no começo, as vezes... Só um lance casual e sem mais preocupações.
Mas sempre a mesma coisa...
Na verdade sinto falta de quase me afogar, perder o fôlego achar que vou
morrer e esse tipo de coisa que a gente sobrevive pra contar.
Perde o sentido quando o casual se torna uma rotina.
Não que sempre devemos conhecer o nome de cada parente antes de
ir pra cama, longe de mim fazer apologia ao sexo pós-casamento.
Mas é estranho que o sexo esteja deixando de ser algo íntimo,
parece que as pessoas tem vergonha é de se deixarem conhecer.
Ando pensando em parar de me debater tentando mergulhar e
simplesmente ir na correnteza e respirar facilmente.
Mas confesso sentir falta de olhar o fundo do mar.
Por onde andarão Iara e o Boto?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ambivalência.

O silêncio da noite é uma faca de dois gumes, as vezes nos remete
a uma sensação de liberdade, as vezes é uma prisão.
Surgem esses redemoinhos de pensamentos sem muita coerência,
e acabam por se tornarem apenas segredos mentais.
Talvez a subconsciência seja nossa 'cache', e difícil de ser limpada,
lá estão todos nossos mistérios que não queremos solucionar.
Uma guerra religiosa, nova ameaça nuclear, um garoto confuso e armado
na sua escola, aquela garota em que você não para de pensar, o
trabalho da faculdade, mendigos na calçada, o tédio.
Now's time for your tears.
Será que eu realmente preciso seguir algo?
escolher algum caminho, andar nos trilhos...
Não duvidar é tão mais fácil, torna tudo mais simples, pegar
uma canoa e se lançar no mar, sem velas, sem remos.
Eu deveria ser um revolucionário? quem sabe ser leal e disciplinado...
Anarquista, comunista, nazista, democrata, republicano.
Ser sociável ou anti-social. Extrovertido ou introvertido?
Now's time for your tears.
Talvez eu devesse ser cego e tocar piano, ou usar uma cartola e
tocar guitarra. Quem sabe fumar charutos e ser psicanalista,
trançar os cabelos e ser hippie.
Um dia me sinta solitário demais e encontre conforto
em Jesus, ou veja o mundo caótico demais e vá me isolar em um
mosteiro encontrar tranquilidade.
Now's time for your tears.
Querendo sair e encontrar os amigos em um bar, dançar e conversar.
Ficar deitado em uma rede na sacada lendo um livro, ligar a TV e assistir novela.
Jogar futebol, sentar em um canto e desenhar.
Ir a praia ou jogar video-game.
Now's time for your tears.
Acordar as 6 horas da manhã e ir caminhar no bosque.
Beber a noite toda e desmaiar na cama.
Now's time for your tears.
Até não restar mais tantas opções...
Now's time for your tears.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Abstrato.

 A cidade das luzes ofuscantes.
 Ainda me surpreendo quando encontro ocasionalmente alguém vivendo seu sonho.
Mesmo acordados, teimam em simplesmente não abrir os olhos. A ignorância é
é quase uma dádiva, permitindo viver sem se ferir, sem ter medo.
 Tenho andado um tanto reservado, como quem espera uma festa chata ficar legal.
Não importa. Por mais que tenhamos perdido completamente a fé sempre há um
pouco de uma esperança ridícula demais para ser confessada.
Mas um bom jogador sempre deve ter uma boa desculpa.
Já é preciso um certo esforço e uma dose de boa vontade misturadas com álcool,
assim é possível sobreviver a um momento de "cair na real".
Amigos, desconhecidos, parentes, pessoas e mais pessoas.
 Sempre espero algo de novo no meio de uma generalização,
mas quando percebo que se deixam ser somente tijolos em uma parede...
se permitem serem padronizadas, feitas sob medida, isso me deixa puto.
Perco o fôlego e todo o tesão na vontade de conhecer.
Repetindo gestos, gírias, tudo parece se tornar uma grande modinha no senso comum.
Caí no meu patético desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos
bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam,
eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero
magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das
encrencas. Tentando ser bom com os outros muitas vezes tenho a consciência
reduzida a uma espécie  de "faz-de-conta".
 Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles parecem
broncos demais para perceber que eu não estou mais ali.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Degraus

Descendo a escada...
Ouço longe uma voz, um clamor..
Chega ao meu ouvido quase como um sussurro ofegante.
São quase 5 horas da manhã e eu só queria tomar um copo d'água.
Mas não pude deixar de perceber aquele ruido...
Descendo os degraus fica mais bizarro com a escuridão.
Não sinto medo, parece até engraçado um grito na madrugada.
E continuo descendo, tentando não escorregar e cair de uma vez só,
não ligo a luz, gosto de me aventurar e desafiar cada degrau.
Gritos se misturam entre gargalhadas e canções.
Já nem parece tão estranho, de repente já me vejo querendo estar lá.
Só quem desce uma escada sabe o quanto é fácil e convidativo.
A vontade de acelerar de vez, seja por curiosidade, ânsia de chegar logo ou
só por diversão de se jogar aceleradamente.
E quando me vejo cada vez mais próximo acelero os passos.
"É na sala, isso só pode vir da sala, qualquer ocasião caseira começa na sala."
Corri pra sala, tropeçando em cada móvel que havia pela frente.
Nem quis saber se estava tudo completamente escuro.
Somente a luz do vizinho que invadia a casa pelo portão de vidro na frente.
Então um ultimo suspiro seguido de silêncio, nada além de silêncio.
Só o espelho na parede me encarando mesmo sem que eu olhasse em seus olhos
eu sabia que estava me encarando...
Só quem já subiu uma escada sabe o quanto é chato ter de voltar...